No dia 5 de julho de 1980, o Papa João Paulo II chegava a Curitiba em uma visita que ficaria marcada para sempre na memória da cidade. Era a primeira vez que um pontífice pisava em solo paranaense e, logo ao desembarcar no Aeroporto Afonso Pena, o Papa beijou o chão em um gesto simbólico que comoveu a multidão presente. De lá, seguiu em uma carreata que percorreu a cidade até o Estádio Couto Pereira, onde foi calorosamente recebido por cerca de 70 mil pessoas. O estádio se tornou pequeno diante da mobilização popular, e o momento foi marcado por homenagens da comunidade polonesa — grupo étnico do qual João Paulo II fazia parte — incluindo danças típicas e uma réplica de uma casa polonesa, que mais tarde se tornaria um dos principais atrativos do Bosque do Papa.

No dia seguinte, 6 de julho, o Papa celebrou uma missa campal diante do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, reunindo entre 700 mil e 1 milhão de fiéis. Foi a maior concentração religiosa da história do Paraná, e possivelmente uma das maiores do Brasil até então. O evento contou com um coral de 400 vozes e foi transmitido ao vivo para o Vaticano. Testemunhas da época lembram com emoção do carisma e da presença marcante do pontífice. Entre elas, a funcionária pública Merli Garcia descreveu o Papa como uma figura doce, capaz de tocar os corações de todos à sua volta.
A passagem de João Paulo II por Curitiba não foi apenas um acontecimento pontual, mas sim um marco que deixou raízes profundas na cidade. O Bosque do Papa João Paulo II, inaugurado pouco depois da visita, mantém vivas as memórias desse momento. Nele, as casas típicas polonesas usadas na recepção do Papa foram preservadas e se tornaram símbolo da amizade entre Curitiba e suas raízes europeias. Além disso, parte dos registros oficiais, como fotos, vídeos e documentos da visita, estão arquivados no Museu da Imagem e do Som e no Arquivo Público do Paraná. Um Ford Galaxie Landau utilizado pelo Papa, por exemplo, integra exposições do Veteran Car Club de Curitiba, reforçando o valor histórico do momento.
A visita também fortaleceu a identidade multicultural de Curitiba, ao destacar a relação com a Polônia e a fé católica da população local. Foi uma ocasião que reuniu fé, emoção e orgulho, e cuja memória permanece viva por meio dos espaços culturais, das recordações pessoais e dos arquivos públicos. Passados 45 anos, o impacto da visita ainda ecoa, como um lembrete do poder de união, espiritualidade e significado histórico que João Paulo II representou para o povo curitibano.




